Por que um ensino personalizado?

Vivemos uma época marcada por profundas transformações. Não se trata mais de uma época de mudanças, mas sim de uma mudança de época. Momentos históricos como estes são desafiadores, pois, de um lado há uma nostalgia de tempos que não voltam mais e, ao mesmo tempo, um temor diante do desconhecido que se apresenta.

                O passado é sempre uma escola da qual são retiradas lições para que erros não sejam repetidos, porém não é nele que se deve fixar o olhar. Os desafios que se apresentam exigem respostas adequadas para o momento presente.

                As novas tecnologias têm sido a grande marca destes novos tempos. A velocidade com que são introduzidas novas ferramentas de comunicação gera desafios permanentes no sentido de acompanhar tal evolução.

                Entretanto, estas mudanças podem gerar um processo de isolamento social, dessensibilização e desumanização. O desafio que se apresenta não consiste em negar ou rejeitar as novas tecnologias, mas encará-las como ferramentas a serviço das relações humanas.

                Neste sentido a escola tem um papel fundamental. Nela é possível que se realize uma integração saudável entre tecnologia e relações humanas. Porém, para que tal integração ocorra, a personalização do ensino é condição necessária e fundamental.

                Cabe à escola levar alunos e professores ao uso responsável e produtivo dos diversos recursos tecnológicos nas ações pedagógicas. Para tanto não faltam recursos, plataformas e, principalmente, a criatividade dos próprios alunos.

                O grande desafio, porém, está em promover a integração dos alunos entre si para que a convivência não seja mediada apenas por aparelhos. As ações pedagógicas e os momentos de interação no ambiente escolar devem privilegiar e valorizar o contato pessoal.

                A escola não pode reproduzir um modelo de sociedade que tem sofrido da mais grave doença social dos nossos tempos: a invisibilidade. Estamos vivendo um momento em que os “invisíveis” passam despercebidos, pois não incomodam a ordem estabelecida.

                Os que reagem com sua indisciplina ou com seus “problemas” estão chamando a atenção e, consequentemente, são notados e podem ser atendidos. Porém, aquele que se exclui, que procura não ser notado ou passar despercebido de todos, que “não dá trabalho” deve ser integrado.

                O único caminho possível para esta integração dos “invisíveis” é um ensino personalizado que seja capaz de envolver a todos, indistintamente, e perceber cada um em sua história de vida, suas potencialidades e suas necessidades. Não se admite um modelo de ensino em que o aluno não seja chamado pelo nome e reconhecido como corresponsável por seu processo de aprendizagem.

                Cabe à coordenação pedagógica escolar estabelecer a necessária ligação entre a família e o corpo docente. Compete à coordenação, nos limites da ética, apresentar ao corpo docente as questões que envolvem situações merecedoras de um acompanhamento especial. Da mesma forma é a coordenação que repassa às famílias as informações trazidas pelo corpo docente ou colegas e que podem servir de apoio ao processo de interação e socialização.

Vale ressaltar ainda que timidez não é defeito e muito menos patologia. Na civilização do espetáculo e da superexposição em que vivemos, aqueles que têm um comportamento mais retraído ou introspectivo tendem a se sentir excluídos ou incapazes. Somente um ensino personalizado é capaz de olhar e acompanhar cada sujeito, respeitando seus limites (não como limitações, mas como fronteiras demarcatórias da sua individualidade) e potencializando suas capacidades.

Prof. Geraldo Luiz de Souza

Supervisor do Colégio Ateneu

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