PBL – METODOLOGIA ATIVA – INTERDISCIPLINARIDADE

As metodologias ativas têm-se constituído num instrumento de grande valia para o desenvolvimento de atividades acadêmicas em todos os níveis de ensino. Por meio delas os estudantes participam de maneira efetiva do processo de construção do conhecimento.

A aplicação de metodologias ativas vem acompanhada de um desafio complementar: a interdisciplinaridade. Nos meios acadêmicos, empresariais, corporativos e sociais exige-se cada vez mais a capacidade de diálogo entre setores distintos na busca do aprimoramento das ações e do aprofundamento do conhecimento.

A escola constitui-se, assim, num espaço privilegiado de experiências relacionadas às metodologias ativas e à interdisciplinaridade. Tais práticas favorecem não apenas o aprendizado acadêmico, mas também o amadurecimento humano, a tomada de decisões, as relações interpessoais e a capacidade de trabalho em equipe.

As metodologias ativas e a interdisciplinaridade podem ser aplicadas de várias maneiras nas vivências escolares. Elas permitem o desenvolvimento de atividades ao longo de uma aula, um dia, uma semana, um mês, um trimestre ou bimestre e, ainda, ao longo de um ano inteiro.

O PBL (Project Based Learning), ou Aprendizagem Baseada em Projetos, é uma das metodologias ativas que podem ser desenvolvidas na perspectiva interdisciplinar. Partindo da investigação de questões significativas do mundo real, o PBL possibilita o desenvolvimento de habilidades importantes para os indivíduos do século XIX, tais como cooperação, proatividade, comunicação, capacidade de solucionar problemas, gerenciamento do tempo, entre outras.

A elaboração do PBL pressupõe alguns princípios orientadores. É preciso, em primeiro lugar, definir um objetivo a ser alcançado com o projeto. Faz-se necessário, ao mesmo tempo, elaborar uma questão norteadora para apresentação do tema a ser desenvolvido. Por fim, devem ser previstos momentos de avaliação para gerenciamento do processo. 

Tendo por referência o PBL, os professores das disciplinas de História, Filosofia e Língua Portuguesa propuseram aos alunos da 1ª série do Ensino Médio uma atividade que envolvesse o estudo da Revolução Industrial (História), seus desdobramentos na percepção da realidade pelo ser humano (Filosofia) e a produção de um manifesto (Língua Portuguesa) a partir das conclusões alcançadas pelos alunos durante as discussões e atividades.

A questão norteadora que conduziu as reflexões foi: Para os destinos de uma sociedade, é indiferente conceber a máquina como um engenho a serviço do homem, ou o homem como um apêndice da máquina?

Com o objetivo de responder à questão proposta, ao longo de três semanas os estudantes envolveram-se em várias práticas individuais e em grupo com o objetivo de levantar os impactos da velocidade e da tecnologia no cotidiano da sociedade pós Revolução Industrial.

Enquanto estudavam os conteúdos curriculares sobre a Revolução Industrial em seu livro didático, os estudantes aprofundaram seus conhecimentos sobre a relação entre o ser humano e a tecnologia por meio de um artigo preparado pelo professor de Filosofia. Ao mesmo tempo, por meio de material disponibilizado pela professora de Gramática puderam conhecer as características do gênero textual Manifesto.

Por meio da ferramenta tecnológica Google Classroom foi criado um documento compartilhado no qual os estudantes foram registrando suas impressões e os resultados das discussões em grupos. Após terem apresentado suas conclusões, formou-se uma equipe encarregada pela redação final com um representante de cada grupo.

Este foi o resultado do trabalho desenvolvido pelos alunos:

Manifesto sobre a relação entre o ser humano e a máquina

Como alunos da primeira série do Ensino Médio do Colégio Ateneu, considerando e discutindo acerca das consequências na atualidade decorrentes das transformações ocorridas a partir da Revolução Industrial, escrevemos abaixo um manifesto no qual expomos o resultado da discussão dando ênfase às relações entre o homem e a máquina.

No século XVIII, emergia da Europa um dos acontecimentos que marcaram a humanidade, a Revolução Industrial, pois a partir dessa época o mundo norteava-se à globalização. As máquinas, que eram antes tão extraordinárias, hoje são tão cotidianas e continuam, de forma acelerada, sendo atualizadas e modernizadas. No entanto, essa criação do homem vem se tornando um antagonista formidável da humanidade, pois, apesar das facilidades do mundo contemporâneo, essas inovações causam malefícios que antes eram inconcebíveis, como o sedentarismo, a introversão e a ávida necessidade do homem para manter-se conectado mediante um aparelho eletrônico.  

Esses sintomas da globalização deixam o homem vulnerável a uma sujeição, a ponto de ser supervisionado por sua própria criação. Assim, para que isso não ocorra, é necessário que haja a divisão entre o mundo orgânico e o mundo mecânico. E é a respeito deste ponto, acerca da não eliminação das máquinas no dia a dia, mas considerando sua importância para o desenvolvimento da humanidade, que nos manifestamos a fim de que a tecnologia não avance a um estado de ser completamente orgânica. 

Propostas

– Controlar as constantes evoluções das máquinas que, por muitas vezes, sem a ajuda dos homens, seriam as próprias criadoras avançando para um estado de tornarem-se completamente orgânicas.

– Impor limite de tempo para determinados aparelhos domésticos, o qual seria estipulado pelos próprios desenvolvedores com base em referências de saúde e bem-estar dos usuários.

– Não permitir que a máquina coloque em risco a vida humana.

– Utilizar a máquina para cuidados de saúde, educação e comunicação a fim de alcançar maior eficácia e precisão em resultados e na prevenção de problemas.

– Desenvolver uma educação primária que promova as relações humanas por meio do teatro e outras atividades que exijam o convívio e a interação estritamente humana.

– Comprometer família e escola com a valorização das relações humanas.

Alunos da 1ª Série do Ensino Médio do Colégio Ateneu

Londrina, 20 de novembro de 2019.

*Este trabalho fez parte das atividades desenvolvidas por Geraldo Luiz de Souza e Mariana Santana Marins na disciplina Paradigmas pedagógicos da prática docente atual ministrada pela prof.ª Dr.ª Alessandra Dutra no Programa de Mestrado em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza da UTFPR – câmpus Londina.

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