O que é e o que se faz em um tratamento psicoterapêutico voltado para o adolescente.

O adolescente pode (e muito comumente o faz) atravessar a adolescência de forma psiquicamente tranquila. 

Entretanto, por eventualidade da vida e por sermos seres que afetam e são afetados, muitos elaboram sintomas de caráter mais ou menos graves. O que pode implicar dificuldades nos laços familiares e sociais, bem como sofrimento psíquico particular. 

Movido por alguma inibição, angústia ou sintoma que dificultam o seu caminhar, que incomodam, que fazem ruídos, o encontro desse adolescente com o psicoterapeuta pode ser valioso. 

E é justamente esse sofrimento trazido pelos diversos sintomas que muitas vezes movem os indivíduos – não só adolescentes – a buscar um trabalho psicoterapêutico. 

Partindo do pressuposto de que tais construções sintomáticas dizem de uma tentativa do próprio sujeito em inscrever algo psíquica e socialmente, é sobre isso que o trabalho se dará. 

Nem sempre a queixa apresentada pelos pais ou figuras do laço social do adolescente coincidem com a queixa trazida por ele. Com grande frequência, a construção que o adolescente faz do próprio sofrimento se diferencia da construção feita pelas figuras do seu entorno. 

O saber que perpassa todo o trabalho psicoterapêutico, ao contrário daquele que pretende o senso- comum, de fazer valer àquele indivíduo, a  qualquer custo, os ideais e premissas, é o do próprio sujeito, que, em trabalho, escreve com sua própria caligrafia palavras suas, próprias. E isso tem efeitos psíquicos importantes.

Eis o caráter muito individual de cada trabalho: ele se dá a partir da narrativa do adolescente, no engendramento de suas próprias palavras, numa autoria de si mesmo. Para isso, ele deverá falar, mas também escutar-se falando, pois aí, nessa escuta de si mesmo, algo antes não sabido, que ele nem sequer notava, poderá surgir, além de também romperem novas significações menos doloridas. 

Por parte do psicoterapeuta, a escuta implica uma ética de possibilitar que o paciente diga abertamente o que precisar dizer. Para isso, o laço entre ambas as partes é, inclusive, bastante importante. 

Um ponto fundamental: cada um é um novo, único e irrepetível ser. As experiências, os afetos, as marcas indeléveis que muito causam o sofrimento, dão-se sempre no singular – o que é de uma pessoa jamais será de outra. E o psicoterapeuta tem isso como base fundamental do seu trabalho. Assim, ali, o adolescente está em um ambiente em que sua singularidade e todo o Universo próprio que ela abarca será escutada e acolhida. 

Psicóloga Paula Ferruda Medri

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