FAMÍLIA E ESCOLA DEVEM SER PARCEIROS

Os tempos são outros, as formas de ensinar estão em transformação, o perfil dos alunos é diferente. A escola não é a mesma de anos atrás, mas uma coisa nunca muda: a importância da participação dos pais na vida escolar dos filhos. E como eles devem se adaptar a tantas mudanças?

Especialistas afirmam que parte dessa resposta pode ser dada pela própria escola. Segundo o psicopedagogo Eugênio Cunha, para que a família possa participar e contribuir, é fundamental que a coordenação pedagógica explique aos pais as novas tecnologias e métodos de aprendizagem adotados em sala de aula.

Cunha destaca que muitos pais foram educados da forma tradicional, distantes das metodologias ativas adotadas em algumas instituições de ensino atualmente, que buscam maior participação dos alunos. “Eles sentem falta daquele conteúdo que vem para casa, daquele livro cheio de perguntas e respostas, de um caderno muito escrito. Isso são resquícios de metodologias de um ensino antigo, portanto é preciso que as escolas esclareçam essas novidades”, ressalta.

Luiz Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos do Distrito Federal (Aspa- DF), aponta que acompanhar essas mudanças é um desafio para as famílias, principalmente aquelas que envolvem as tecnologias. “Realmente, os tempos mudaram. A gente só consegue seguir os filhos até um certo ponto. Temos dificuldades. Inclusive, muitos pais perceberem essa mudança no comportamento dos filhos. Vejo, ainda, que a tecnologia está ganhando cada vez mais espaço na sala de aula. Enquanto o professor fala lá na frente, os alunos já estão pesquisando.”

O doutor em educação Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), ressalta que as escolas não podem esperar a mesma participação e compreensão de todas as famílias. Ele assegura que cada caso deve ser tratado de forma diferente, olhando o contexto social e a experiência escolar de cada um.

Segundo Batista, pesquisas mostram que a maioria dos pais se preocupa com a educação dos filhos e tenta ajudar, mas que nem todos conseguem acompanhá-los. “Não é só dificuldade com um universo de tecnologias e conteúdos novos, mas um afastamento, outras necessidades mais importantes. Existe uma espécie de distância entre o mundo cultural da família e o mundo cultural da escola, e eles precisam ser aproximados”, alerta.

Para Eugênio Cunha, a relação escola e família precisa ser fortalecida diariamente, de maneira que os pais possam contribuir efetivamente. “É uma parceria que precisa se estreitar. Ficar por dentro da rotina do trabalho que é feito em sala de aula, das pesquisa que são feitas em casa, além dos projetos em que o aluno precisa trazer a família para a escola. Existem várias atividades durante o ano que podem ajudar nessa relação”, aconselha.

 

Acompanhamento é fundamental

Os pais não precisam concordar com tudo o que a escola impõe. Afinal, é a educação dos filhos que está em jogo. Os especialistas ressaltam que é preciso avaliar se as metodologias adotadas pela instituição estão cumprindo o objetivo de uma instituição de ensino, que é educar. As intervenções, no entanto, devem ser feitas de com cautela, de maneira a ajudar, e não atrapalhar.

O psicopedagogo Eugênio Cunha ressalta que a relação entre família e escola deve ser sempre uma parceria, mas a instituição de ensino é soberana nos aspectos pedagógicos. “A escola tem autoridade e autonomia para decidir o caminho pedagógico a seguir com os alunos, mas é evidente que as sugestões dos pais são sempre bem-vindas”, afirma. Cunha adverte que o problema é que muitas vezes as famílias responsabilizam os professores quando há problemas com os filhos.

Cunha destaca que, quando o pai acompanha a vida acadêmica do filho, ele consegue supervisionar melhor se ele está conseguindo cumprir as metas e as diretrizes da escola, assim como se está sendo ativo nas aulas. Dessa forma, é bem mais fácil identificar onde está o problema quando as coisas não vão bem.

 

Dentro do limite

Luiz Claudio Megiorin, da Aspa, alerta que é preciso ter cuidado ao querer questionar o professor. Para ele, há pais que passam dos limites na hora de opinar sobre as decisões da escola, chegando a querer descaracterizar os projetos pedagógicos das instituições. “Eu acho que tudo tem limite. A gente tem que saber o que é importante e fundamental ser moldado e aquilo que pode acabar destruindo um projeto pedagógico. A participação dos pais é muito bem-vinda, desde que seja uma participação equilibrada e organizada”, observa.

Segundo Batista, do Cenpec, uma dica para saber quando intervir é verificar se a instituição de ensino está conseguindo cumprir a função dela. Ele explica que a escola tem três finalidades: o desenvolvimento pessoal; a formação cidadã; e a formação para o trabalho. Caso não esteja atendendo esses papeis, é hora   de questionar.

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