DOR E SOFRIMENTO

Há uma expressão popular que resume o papel da dor na vida humana: “dor do crescimento”. Esta expressão, originalmente, aplica-se às dores que aparecem em partes do corpo de um adolescente e que, na sequência desaparecem sem uma aparente explicação. Assim, a dor, além de indicar uma situação a ser resolvida gera também sofrimento.

Imaginemos o esforço de uma pequena semente que desabrocha embaixo da terra até chegar à superfície ou a pressão nos músculos, tendões e ossos durante a fase de crescimento de uma criança. Esse processo nos leva à conclusão de que crescer e amadurecer, dói.


Quanto transportamos as dores de “crescimento” para a nossa afetividade, a situação não é diferente. Amadurecer é um processo doloroso e podemos afirmar que a adolescência é uma das principais fases, na qual sentem-se dores no corpo e na alma. Porém, é preciso que diferenciemos a dor natural reveladora de um processo de crescimento e o sofrimento emocional provocado por síndromes, transtornos e doenças.


Aqui temos um grande desafio. No contexto social atual, nos deparamos com uma supervalorização do prazer e do consumo, por isso, nem sempre a dor é encarada de maneira adequada, pois acaba gerando situações extremas, e, como tais, perigosas.


De um lado corre-se o risco de desvalorizar a dor e o sofrimento por entender-se que nossas crianças e jovens são fracos e incapazes de suportar qualquer contrariedade. Do outro, uma supervalorização dos sentimentos causados pela dor, levando os responsáveis pela educação dos jovens e adolescentes, a ter receio de frustrar, de provocar traumas e desvios de comportamento.


Dor e sofrimento buscam afeto. E a família é o principal canal da afetividade tão necessária para um crescimento emocional saudável. É tarefa primordial da família propiciar o espaço de transição e de experiências de afeto nas suas diversas modalidades.


Afeto tem a ver com afetar outras pessoas e ser afetado pelos outros. Sendo assim, os diversos sentimentos são manifestação de afeto. E o oposto de afeto não é o ódio ou a raiva, mas sim, a indiferença, a negligência, a falta de atenção ao outro, o não percebê-lo ou fazê-lo se sentir invisível.


A escola tem um papel fundamental neste processo, por dois aspectos principais. Ela pode colaborar com a família na percepção dos quadros de sofrimento e dor além de poder atuar em colaboração com a família nas medidas necessárias para o enfrentamento de situações mais exigentes de cuidado.


Nesse contexto, a “Roda de Conversa” se apresenta como uma oportunidade de diálogo entre família e escola. Um momento de troca de experiências, de uma conversa que visa contribuir com o crescimento saudável de nossos adolescentes e jovens.


A Roda da Conversa é aberta ao público e acontecerá hoje, às 18:30, no Ateneu! Inscreva-se pelo site e venha participar. Acesse: https://bit.ly/2X6LoRY

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